sexta-feira, 15 de junho de 2012

Madagascar 3: Os Procurados

Com a proximidade das férias de inverno aqui no Brasil e de verão nos Estados Unidos, os grandes filmes e franquias começam a despontar novamente no cinema. Quem teve a missão de abrir essa alta temporada cinematográfica foi "Madagascar 3: Os Procurados" ("Madagascar 3: Europe Most Wanted", EUA, 2012). É preciso dizer, porém, que não foi uma abertura em alto estilo.
O filme acompanha o quarteto formado por Alex, Marty, Melman e Gloria, fugitivos do zoológico do Central Park, em Nova York, e, juntos com rei Julien e seus servos, tentam a todo custo voltar para casa. A esperança deles está depositada nos pinguins que contam com a ajuda de alguns macacos pouco comportados. Mas logo que os pinguins fogem da África abandonando o quarteto, Alex decide ir atrás dos fugitivos e, depois, seguir viagem até a América.
A partir daí é uma sucessão de acontecimentos que pouco têm de lógicos e conexos. Num instante, inexplicavelmente, eles emergem no porto de Monte Carlo, onde os pinguins fizeram uma parada para ganhar dinheiro nos cassinos antes irem adiante pelos ares. Ora, se é tão fácil ir nadando da África até a Europa, qual a dificuldade de fazer isso até a América? Diriam alguns que se trata apenas de uma animação e, como o filme é direcionado especificamente ao público infantil, esses detalhes são menos importantes. Eu discordo. Não creio que crianças devam ser tratadas como idiotas e seres descerebrados cuja mente vai absorver qualquer absurdo sem se importar com uma construção no mínimo lógica para a linearidade da história. E ao mesmo tempo que "Madagascar" se mostra algo completamente absurdo do ponto de vista da sequência narrativa (e que alguns, como eu já disse, defendem essa ilogicidade com a desculpa de que é "filme para criança"), ele faz comparações que exigem um conhecimento prévio que, aí sim, creio, nem todas as crianças são obrigadas a saber. 
Acontece que Alex e sua turma decidem se infiltrar num circo e, com eles, carimbar o passaporte para casa. Percebendo o desastre que é o espetáculo da companhia, formada unicamente por animais, o leão-protagonista tece um discurso baseado na experiência do "Cirque du Soleil", sem jamais citar a famosa trupe internacional. Nas palavras de Alex, eles saíram do Canadá e tiraram os animais do circo porque acharam que não eram mais necessários. Os animais, então, são incitados a provar que não precisam de humanos para que o circo aconteça. E aí as crianças bóiam no discurso motivacional.
O filme tem bastante sequências de ação, tem ritmo e é divertido. Mas isso não soa exatamente como uma coisa boa justamente porque só há "respiro" na história nos momentos em que o filme se presta a vomitar lições de moral.
Com uma vilã extremamente caricata (que poderia ter uma personalidade melhor aproveitada, já que temos uma situação semelhante em Cruela Devil no clássico "101 Dálmatas", por exemplo), ela jamais é apresentada como alguém que impõe perigo aos animais, exceto pelo clímax. Da mesma forma, a primeira apresentação do circo, com nova roupagem, não fica compreensível. Não sabemos exatamente o que está acontecendo na tela. Parece mais uma experiência surreal, ou um sonho desconexo, o que não leva, em nenhum momento, a ficarmos surpresos ou contentes com a superação do grupo e com o resultado pós-ensaios, já que não entendemos exatamente o que eles fizeram, afinal.
Falta dizer que o 3D é muito bem realizado, apesar de ser extremamente exagerado e jogar coisas na nossa cara a todo instante, na menor possibilidade possível.
Enfim, é um filme recomendado para menores de 3 anos. E só. Cheio de cores, um 3D exagerado e uma história inexistente. Divertido, mas ilógico.


Um comentário:

  1. Com exceção dos filmes da Disney, acredito que nenhuma animação de hoje em dia, por mais nonsense que seja, seja voltada totalmente para crianças. Algumas, aliás, são totalmente destinadas a adultos, por mais que sejam vendidas como infantis.
    Não sei de Madagascar, porque ainda não assisti, mas vejas vários outros exemplos: Shrek, FormiguinhaZ, Vida de Inseto (esse é da Disney, mas enfim...) e vários outros. Todos contém diálogos cheios de insinuações sexuais que uma criança jamais entenderia.
    Não que haja algo de errado que vá traumatizar as crianças. Até porque são passagens extremamente sutis, as vezes uma única palavras em um diálogo inteiro, mas que está no centro da piada. Uma criança não acha graça porque não entende, mas está ali para despertar o riso num adulto!

    Daí misturam as coisas. Fazem algo nonsese para crianças e abusam nas piadas para os adultos. As vezes sai um filme legal, mas na maioria sai porcaria.

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