sexta-feira, 2 de março de 2012

A Mulher de Preto

O personagem de Daniel Radcliffe está triste. Na lembrança, o luto pela morte de uma pessoa querida. Tentando tocar a vida, ele entra em um trem partindo para uma cidade longínqua da agitada Londres. Antes de embarcar, porém, ouvimos a frase: "Você tem os olhos da sua mãe". Chegando ao destino, por onde quer que passe, todos olham para ele com espanto e estranheza.

Sim, queridos leitores. A saga de Harry Potter já terminou e nosso querido Radcliffe está tentando seguir com a carreira em frente, tentando provar que ele pode ser ator além de bruxo.

E não. Eu não relatei um trecho de qualquer filme do Harry Potter.

E também não. Não é este "A Mulher de Preto" (The Woman in Black, Reino Unido, 2012) que fará o jovem ator se desvencilhar da imagem carimbada em sua testa de bruxo de Hogwarts; pois, como vocês puderam perceber, o longa é cheio de citações e situações que remetem um filme a outro.

Mas as semelhanças estão somente nos detalhes. Aqui, Radcliffe é Arthur Kipps, um jovem advogado com o emprego em risco por estar rendendo menos na firma onde trabalha. O motivo é a morte da sua esposa, que ocorreu durante o parto do seu pequeno filho.
Para provar sua competência, Kipps é enviado a uma cidade no interior da Inglaterra para cuidar dos documentos de um ex-cliente recém-falecido. O problema é que a cidade vive à sombra da lenda do espírito de uma mulher que, supostamente, é o responsável pela morte das crianças daquele lugar.
Agora, Kipps terá que usar de coragem para realizar seu trabalho com competência e procurar entender o que atormenta o espírito da finada.

A fotografia é muito bela, a edição e mixagem de som são impecáveis e indispensáveis na tarefa de nos causar muitos sustos. E quantos sustos! A direção também é bem realizada, especialmente porque cria um clima de tensão que beira ao insuportável, além de nos prender na trama, levando-nos a - junto com Kipps - tentar descobrir o que está por trás da morte das crianças e por que a mulher do título assombra a cidade.
A direção de arte é incrivelmente bem executada (apesar de ter pensado a casa quase que como uma sósia da escadaria de Hogwarts, inclusive com os quadros bem-emoldurados na parede). Os brinquedos abandonados no casarão assombrado não parecem nem um pouco amigáveis e todos os objetos evocam o gótico.

Apesar de bem executado na parte técnica e ter mentes criativas interessantes na criação dos ambientes, o mesmo não se pode dizer do roteiro. A história poderia, facilmente, se resolver em um curta metragem. É cansativo vermos, por intermináveis minutos, Kipps subindo e descendo as escadas, intercalando com um susto aqui e um clima de tensão ali.
Da mesma forma, embora atormentado com a perda recente da esposa e a desconfiança da existência de fantasmas, Kipps decide trabalhar sozinho, à noite, porque é quando consegue produzir melhor, diz ele. Além de ilógico, é um pretexto clichê para que sejamos tomados por mais alguns momentos de sustos e medinhos.

Medinhos, não! Se não causa uma tensão insuportável em todos os espectadores, pelo menos é inegável a quantidade de sustos que o filme é capaz de nos proporcionar. Ainda assim, é isso que ocupa a maior parte do tempo neste filme, o que empobrece a história, que jamais ganha uma profundidade e uma complexidade palpáveis e não se aprofunda no drama de cada uma das pessoas daquela localidade que convivem com tal assombro por anos.

Desta forma, se for para levar sustos, é mais proveitoso ir a um trem-fantasma. Pelo menos não somos obrigados a aguentar uma história rasa por mais de uma hora e meia com o único propósito de passar um pouco de medo e levar alguns pulos.
Se lá, no trem-fantasma, não tiver Radcliffe, eu assisto Harry Potter depois. Taí um programa mais divertido que "A Mulher de Preto".


Um comentário:

  1. Daniel ... Daniel .... Daniel ... Daniel ... HAHA!

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