quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Os Descendentes

"Os Descendentes" (The Descendantes, EUA, 2011) é a prova do desespero que a Academia, aparentemente, se departou ao elencar a lista de filmes para concorrer à estatueta do Oscar. Ou isso, ou os critérios para a maior premiação do cinema mundial estão realmente falhos.
Não me refiro aos demais indicados (até porque não vi todos). Mas o fato deste novo filme de Alexandre Payne estar na lista dos concorrentes a Melhor Filme me preocupa profundamente. "Os Descendentes" não tem história, nem clímax e nem mesmo boas razões para ser visto. Fraco. Muito fraco.

O longa conta a história do advogado Matt King (George Clooney), que precisa lidar com várias situações tensas que resolveram tomar conta da sua vida de uma só vez: sua esposa, Elizabeth, sofreu um acidente de barco e está à beira da morte no hospital; sua família nutre um relacionamento familiar interesseiro para vender terras que há séculos pertencem à família, e cabe a King a tarefa de assinar a decisão final sobre a venda desse milhonário pedaço de terra; sente-se forçado a estreitar os laços com suas filhas adolescentes problemáticas e, ainda por cima, precisa conviver com a descoberta de ter sido traído por sua quase-finada mulher.

Ambientado no Havaí, o filme é uma adaptação do livro de Kaui Hart Hemmings. Adaptação muito mal feita, por sinal. O filme é mais longo que o necessário e em nenhum momento nos surpreende com uma cena verdadeiramente interessante.
Na primeira parte da projeção, vemos King nos localizando sobre sua vida e sobre seus conflitos atuais. Além de, particularmente, detestar narração em off (a não ser em casos específicos, por entender que um filme é uma obra genuinamente visual, e a narração em off empobrece a história contada no cinema), ela não contribui e soa dispensável, já que as situações descritas pelo protagonista no seu - me permitam definir desta forma - monólogo, soam mais interessantes que todo o restante da fita.
Isso compromete o filme, já que percebemos, logo de início, a falta de criatividade necessária para que o filme siga adiante. Nos 115 minutos intermináveis de projeção, nos deparamos com gags cômicas infelizes, que fazem piada em cima da situação de Elizabeth, com uma perseguição patética pelo amante da enferma. E só.

Apesar de contar com personagens descartáveis - como o "amigo" de Alexandra (Shailene Woodley), filha de King - a única coisa em "Os Descendentes" que faz valer a pena o ingresso é o elenco. As atuações são belíssimas. Desde Clooney, que confere a complexidade necessária ao seu personagem, exibindo sentimentos e comportamentos que o próprio filme não transparece, até a filha do protagonista, vivida por Woodley, que encarna a primogênita de King como uma naturalidade impressionante: por mais que tenha os problemas típicos - e outros agravados pela situação familiar - de uma garota de 17 anos (como a necessidade de um amigo para se sentir mais segura, a busca por mecanismos de fuga, como o álcool, para esquecer dos problemas), exibe uma maturidade fascinante ao ajudar o pai nas suas tarefas - por mais tolas que elas sejam; e aqui não me refiro a decisões tolas do protagonista, mas às decisões tolas que o roteiro faz o protagonista perseguir.

Da direção de Payne, o que resta de bom são as locações, muito bem aproveitadas e que embelezam o longa, além de contrastar com o momento difícil da família King. Mas nem isso ganha notoriedade, já que, com as gags cômicas e a falta de velocidade, os "respiros" que poderiam ser proporcionados pelas cenas com belas paisagens do Havaí tornam-se apenas um objeto de decoração.
Pra piorar, o desfecho não justifica o título, dizendo muito pouco (ou nada) sobre a situação das terras herdadas pela família.

Repito: sorte do filme é ter as atuações que têm. Caso contrário, estaria fadado a virar mero sonífero.




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