quarta-feira, 13 de julho de 2011

Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1

Na contramão de qualquer veículo que vá falar da série Harry Potter, o Set Sétima decidiu não escrever do mais novo filme da série, mas do penúltimo, lançado em fins do ano passado e que abriu o capítulo final do desfecho da octologia.

Há muito eu quis falar desse filme, mas contratempos não permitiram e antes que eu pudesse dar um parecer geral para o conjunto da obra, eu não poderia ignorar a primeira parte da última história do bruxo Harry Potter.


"Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1" (a partir de agora HP7-1) é, indubitavelmente, o melhor filme da série. Ao contrário do tom episódico registrado nos dois primeiros filmes - especialmente, pois quase todos são episódicos - esse novo exemplar da história baseada nos livros de J.K. Rowlling flui melhor; além de, mais uma vez, estar sombrio e assustador.


Não é mais possível encontrar, por exemplo, na explêndida trilha composta por Alexandre Desplat, os acordes leves e alegres de John Williams presentes nos primeiros filmes. Da mesma forma, a leveza da história se foi; e isso é bom. Desde que assumiu o posto, em "A Ordem da Fênix", o diretor David Yates tem mostrado um universo muito mais urgente para a história - acertadamente, já que isso seria inevitável. Mas tanto em "A Ordem da Fênix" quanto em "O Enigma do Príncipe", a enredo se perdia nos conflitos amorosos da adolescência, o que destoava da gravidade dos acontecimentos e quebrava o ritmo da narrativa.


Mas aqui não há esse problema. Ron (Rupert Grint) não é mais o garoto embasbacado dos exemplares anteriores: demonstra, em HP7-1, conflitos profundos em relação a todas as dificuldades vividas até então. E é essa confusão de sentimentos que o faz tomar atitudes impensadas, mas que demonstram grande crescimento na complexidade do personagem.

Igualmente perfeito, na interpretação e concepção de Severo Snape, está Alan Rickman. O ator confere toda a complexidade e frieza do personagem de forma magistral. E ver Jason Isaacs (Lucius Malfoy) com a barba por fazer, com olhar de desespero, demonstra o preço que a antes imponente e inescrupulosa família Malfoy está pagando por terem sido assim, e que ser servo de Lord Voldemort é muito mais difícil e cruel do que se podia calcular.


Aliás, a crueldade presente nos discípulos de Você-Sabe-Quem e a maldade e intolerância marcadas pela ditadura imposta por ele no mundo da Magia é brilhantemente demonstrada por Yates em diversos momentos: seja no desespero do trio de amigos em se manterem sempre seguros, com olhos e ouvidos sempre duplamente atentos; seja na forma como é representado o Ministério da Magia; ou em cenas pontuais como a que abre o longa.


Aliás, a fotografia de Eduardo Serra é incrível, apostando, acertadamente, assim como nos dois últimos filmes, numa paleta de cores pálidas e monocromáticas, sempre em tons de cinza e preto. A câmera de Yates merece um destaque especial, colocando os personagens sempre nos cantos da tela, como se os personagens estivessem a todo momento se escondendo (e o estão, de fato) e realçando as belíssimas locações escolhidas para os muitos lugares por onde Harry, Ron e Hermione estão procurando as horcruxes, os artefatos que guardam partes da alma de Lord Voldemort (Ralph Fiennes).


Por fim, e não menos importante (aliás, foi o que mais me chamou atenção em HP7-1), a atuação de Emma Watson. A Hermione deste filme em nada lembra tudo o que já vimos da personagem até então. Adulta, séria, responsável, mas ao mesmo tempo frágil e emotiva, Watson confere à jovem bruxa profundidade, complexidade, delicadeza e solidez, como ninguém jamais o faria melhor. E o faz tudo com maestria e segurança, naturalidade e profissionalismo extremo. Reparem, por exemplo, como Hermione demonstra força e segurança ao cuidar das feridas de Ron, ou lançar feitiços protetores com propriedade para manter seguro o acampamento dos três amigos. E em outros momentos, a delicadeza da dança que ela protagoniza com Harry, a tristeza de ter quebrado a varinha do amigo em certo momento e o sentimento de desolação ao se lamentar de não ter mais forças para aguentar a relação conturbada de Harry e Ron.


E é Hermione que protagoniza a cena mais tocante e símbolo desse capítulo: a abertura. Apostando em uma explicação não falada, sem diálogos, ao contrário da encontrada no livro, Steve Klovers, o roteirista responsável por todos os filmes (excessão de "A Ordem da Fênix"), demonstra habilidade em fazer uso do recurso mais impactante, único e grandioso do cinema: as imagens. E é com emoção que vemos, logo no início da projeção, Hermione apagando das lembranças dos seus pais e de todas as memórias físicas, como fotos, os registros da existência dela e da sua relação com a sua família, para deixar seus pais em segurança e partir, enfim, na missão mais perigosa da sua vida.


A primeira parte é, sem dúvida, o melhor capítulo dessa majestosa saga. Amanhã saberemos como ficou, afinal, o desfecho de uma das sagas mais fascinantes do cinema e um dos marcos da história da sétima arte.


Leia no Andarilho, mais um post em homenagem à série Harry Potter.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Qual sua opinião sobre este filme? E sobre esta crítica? Comente! Deixe a sua opinião! Participe!