sexta-feira, 29 de abril de 2011

A Garota da Capa Vermelha

O primeiro erro de "A Garota da Capa Vermelha" (Red Riding Hood, EUA, 2011) nem é da diretora. Inicia com a equipe de marketing vendendo o filme como sendo "da mesma diretora de Crepúsculo", como se isso fosse sinônimo de coisa boa. A partir daí, já podemos tirar muitas conclusões.


A história: Valerie, a Chapeuzinho Vermelho interpretada por Amanda Seyfried, está prestes a fugir com o amado Peter (Shiloh Fernandez) quando sua irmã é assassinada pelo lobisomem (o substituto do lobo-mau) que atormenta o vilarejo há anos. Então Valerie decide ficar no lugar onde mora, tendo que encarar Henry (Max Irons), o garoto ao qual está prometida mas não quer por marido, e o lobisomem cruel que atormenta os habitantes do lugarejo.

Para salvar a todos, é chamado o padre Solomon (Gary Oldman), especializado no extermínio de bruxas, lobisomens e demônios em geral, a fim de libertar aquela pobre gente do extermínio e sofrimento.


Parece-me que a sinopse é a única coisa que não tem semelhança com a saga Crepúsculo. Porque tudo está ali: o triângulo amoroso, a menina que se sente acolhida por um (belo) rapaz, mas ama outro, os clichês nas falas e até as tomadas aéreas por sobre a floresta, com as mesmas árvores da saga dos vampirinhos.


O roteiro é sofrível; desde o momento em que escutamos uma linguagem extremamente coloquial numa história que se passa na Idade-média (pra se ter noção de como a trama é secular, basta vermos que o padre Solomon foi casado e tem duas filhas pequenas, o que remete à época que a Igreja permitia o casamento dos sacerdotes).


Mas contextos históricos não parecem incomodar a fraquíssima e limitada diretora Catherine Hardwicke, afinal, Peter tem um cabelo bagunçadinho e moderno, a vovozinha parece ter a mesma idade da mãe, entre outros elementos indignantes.


Mas a pobre Hadwicke seguiu o filme em frente, e se sustentou em coisas que não contribuíam em nada à trama pra causar efeito, achando que ia ficar bonito, mas só ridicularizou ainda mais o filme: os closes na porta da igreja com a pintura do lobo cruel (como se a porta de uma igreja, algum dia, fosse retratar tal coisa), o personagem unidimensional de Oldman, a implausibilidade de certas atitudes - como a mãe que esquece do luto da filha recém-assassinada para dar conselhos amorosos à outra - a música pop tocando em plena Idade-média, em um vilarejo esquecido no tempo (a única explicação para isso é, por causa do isolamento, a música do lugarejo tenha se desenvolvido magnificamente e futuristicamente); como consequência, uma trilha sonora fraca e destoante, uma falta de profundidade espantosa nos personagens, um desfecho típico de novela do Manoel Carlos - por sinal, nada difícil de se chegar à resposta já no meio do filme.


Ao final do longa, o roteirista David Johnson usa o recurso da narração, com explicações da protagonista sobre os fatos. Essa narração em off não havia, até então, sido adotada como um recurso para se contar a história. Usá-la no final da trama demonstrou, mais um vez (porque isso a gente percebe a todo momento no decorrer do longa), a falta de criatividade de Johnson para contar a história.


Poderia listar inúmeros defeitos, mas acho mais fácil listar as qualidades do filme, embora não me ocorra nenhuma. E certamente uma qualidade seria facilmente detectada nesse mar de mau gosto que é A Garota da Capa Vermelha. Se nenhuma qualidade chama a atenção, é porque não dá de dizer que o filme valha - sequer - o ingresso.

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