domingo, 7 de março de 2010

Um Olhar do Paraíso

Produzido por Steven Spielberg e dirigido por Peter Jackson, "Um Olhar do Paraíso" (The Lovely Bones, EUA/Nova Zelândia, 2009) é uma adaptação do livro "Uma Vida Interrompida", de Alice Sebold.

O longa conta a história de Susie Salmon (Saoirse Ronan), uma menina de 14 anos que é estuprada, assassinada e esquartejada pelo seu vizinho (Stanley Tucci). Do céu, a garota acompanha o sofrimento da família à procura do seu assassino, e acompanha os passos dele.

História pesada, elenco bom e produtores da mais alta estirpe de Hollywood. Sinônimo de filme cinco estrelas? Não. Infelizmente não. Peter Jackson comete alguns erros que comprometem o tom do filme, ou pelo menos fere a maneira como nossos sentimentos são aflorados no longa. Claro que a intensidade desses erros é bem menor, ao meu ver, do que muitos críticos têm dito, o que me levou a criar expectativas bem negativas desse filme. Mas ainda assim, algumas coisas poderiam ter sido diferentes.

A fotografia de Andrew Lesnie é impecável. Aqui ele retrata cenas mais melancólicas com um azul triste, e as cenas mais vívidas, reais, com um amarelo suave. E são essas duas cores que predominam. Os ângulos de Peter e as locações escolhidas também são sempre felizes, e vez ou outra o diretor nos presenteia com algum enquadramento interessante.

Mas é no roteiro mesmo que estão as maiores falhas. Se no início percebemos uma construção de personagens impecável, de modo que passemos a fazer parte daquela família, e entendamos sua rotina, mais adiante sofremos com a quantidade demasiada de personagens: a garota médium que vê Susie e só participa de quatro cenas, apenas uma relevante, e a avó da garota, Susan Saradon, que protagoniza uma cena cômica inteiramente dispensável durante o filme. Naquela cena me senti como se tivessem contando piada em um velório (o que não deixa de ser a realidade): totalmente desnecessária e de um mal gosto extremo.

Além disso, os momentos iniciais de Susie em seu "mundo perfeito" são entediantes. Desnecessários. Mas, uma das coisas que pude perceber, é que os efeitos especiais não foram tão exagerados conforme eu imaginava. Claro que, é inegável que em "O Senhor dos Anéis" e "King Kong", Peter foi muito mais prudente no uso desse recurso, e aqui ele acaba se empolgando um bocado, mas também não teria como retratar todo aquele fantástico mundo no paraíso, e os conflitos de Susie sem usar dos efeitos. Bastava terem encurtado aquelas cenas e o filme se tornaria menos tedioso.

Stanley Tucci está excelente no papel do assassino brutal e esquemático. Valeu a indicação ao Oscar. Seu cinismo nos momentos em que conversa com a polícia, ou com a própria Susie antes do assassinato, e sua respiração ofegante instantes antes do crime. A alteração na voz e a inquietude. Claro que a garota Ronan colaborou de forma explêndida nesta cena, e foi acertada a forma como Peter retratou a morte da menina. Não precisava mostrar o que estava claro, e o clima do filme é demasiadamente pesado para incluir uma tomada de "Jogos Mortais" no decorrer do longa.

Apesar disso, tantas outras vezes Peter é redundante, e explica demais as cenas num artifício que eu acho detestável no cinema: a narração. Em alguns casos, e neste mesmo, inclusive, alguns instantes de narração são necessários, mas quando o filme se limita a isso, deixando de mostrar o que poderia ser filmado por conta dessa escolha, ou narrando o que está na tela, a escolha é completamente infeliz.

No mais, o final do filme é tosco, mas os instantes finais compensam. Digamos que não saí tão decepcionado do cinema como esperava sair, mas com certeza esse não é o melhor trabalho do grandioso Peter Jackson.


2 comentários:

  1. Fiz bem em não ter assistido, pelo visto.

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  2. Claro que tu não fizeste bem em não ter visto!
    O filme é bacana. Ter erros não significa que não valha a entrada do cinema

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