sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Avatar

Enfim James Cameron voltou ao cinema. Em alto estilo, diga-se de passagem. O que se pode encontrar em "Avatar"? (Avatar, EUA, 2009). Simplesmente um marco. Vendo este filme me senti fazendo parte da história das artes na história do cinema e da humanidade, assim como foi a evolução da fotografia, da TV e o cinema falado. Hoje nos deparamos com o estopim do que o cinema evoluiu e o que ele será nas próximas décadas. Será difícil superar a maestria de "Avatar".

Bom... deixando o nariz de cera do lado, vamos à sinopse: Jake Sully (Sam Worthington) é um soldado paraplégico encarregado de substituir seu irmão gêmeo falecido num programa interplanetário. A missão é, junto com alguns cientistas, usar seus sentidos num corpo geneticamente criado através do DNA do povo nativo, os Na'vi, e assim conquistar a confiança deles, a fim de extrair daquelas terras uma pedra muito valiosa, que custa bilhões de dólares.
Os Na'vi nunca receberam bem os terráqueos, e por isso a missão diplomática soa ainda mais difícil, e é a única alternativa para evitar um confronto bélico. Sully é um representante do exército no meio dos cientistas que vai aprender sobre aquele povo para repassar as informações ao mal-humorado general Quaritch (Lang).

James Cameron, também roteirista do longa, dá o ritmo certo ao filme. Todos os personagens são criados de maneira brilhante, de modo que passamos a entender o quão importante é para Sully realizar qualquer missão, porque segundo o próprio personagem, ele está cansado de ser taxado como inválido, ou incapaz. E é fantástico que Cameron nos presenteie com cenas como aquela que o rapaz sai correndo em disparada até o meio do mato, e lá afunde os pés na terra, para senti-la novamente em seus pés e ter o prazer de movimentar seus calcanhares novamente. Sutilezas que são capazes de nos dar tanta felicidade quanto ao próprio personagem.

Grace (Sigourney Weaver) encarna de forma espetacular a cientista preocupadíssima com o trabalho acima de qualquer coisa, com gênio forte e princípios muito bem definidos. E a todo momento isso é reforçado e cada vez mais ela nos cativa por seu modo de ser, sua sabedoria e inistência em afirmar que nada daquilo pertence a terráqueo nenhum.

Trudy, de Michelle Rodriguez é perfeita em seu papel, e nem precisa de muitas cenas para que a garota mostre seu talento e a quê a personagem veio.

E Zoe Saldana merece aplausos por sua personagem totalmente digitalizada, mas super capaz de transmitir as minúncias da personalidade de Neytiri - a nativa que ensina os costumes daquele povo ao avatar de Sully.

Apresentados os personagens, Cameron nos transporta ao seu planeta, criado do zero. Numa encantadora brincadeira de ser Deus, o diretor nos transporta a um lugar fascinante, e nos faz descobrir todas as belezas daquelas florestas no olhar do protagonista. E isso é muito importante para que nos afeiçoemos ao local, aos costumes daquele povo e para que sejamos capazes de entender a mensagem do filme - claramente ecológica.

Cameron critica a forma como nossa mesquinhez destrói nosso planeta, como os EUA, pricipalmente, tratam outras nações, infernizando países soberanos em busca de riquezas, e o faz sem usar da caricatura; pelo contrário, toda aquela majestosa construção de personagens serve para que entendamos que cada um tem um propósito para agir daquela forma. E isso colabora muito para a história e a mensagem que ela quer passar.

Os efeitos especiais desenvolvidos pela Weta (mesma empresa responsável pelos efeitos de "O Senhor dos Anéis") são fantásticos. Os Na'vi foram concebidos através da tecnologia de captura de performance, quando diversos pontos são espalhados pelo corpo dos atores, de modo que eles capturem os movimentos musculares e o computador seja capaz de dar vida às criaturas. Essa foi a mesma tecnologia empregada para o personagem Gollum, da Trilogia do Anel, mas desta vez os humanoides azuis de Cameron conseguem ser incrivelmente melhores. E diferente de tantas outras criaturas digitais, com olhos brilhantes, expressivos e cheios de vida.

A trilha sonora composta por James Horner, também responsável pelas incidentais de "Titanic" são perfeitas para nos levar ao clímax que o filme pretende criar e se encaixam perfeitamente nas cenas, aumentando a tensão, a alegria ou a preocupação que cada ato tem para passar.

Avatar é um espetáculo visual, é uma revolução na tecnologia do cinema digital, é um ponta pé para uma iniciação em massa de filmagens em 3D, é uma lição de cinema em termos de roteiro e inovação. E como se não bastasse, já é (até o dia de hoje, esse número com certeza vai mudar nos próximos dias) o segundo maior filme em arrecadação na história do cinema; só perde de "Titanic", também de Cameron.

Aguardemos agora para o segundo exemplar dessa fantástica aventura. Eu sou a pessoa que mais tem medo de continuações. Mas Cameron é excessão. Eu confio nele. Ou alguém ainda duvida do que ele é capaz?

3 comentários:

  1. De fato, é uma marco histórico.
    E a tecnologia usada não é exatamente a mesma usada para criar o Sméagol. Esta nova, criada pelo Cameron, consiste no uso de um número maior de câmeras, inclusive micro-câmeras na frente do rosto de cada ator capturado.

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  2. Não vi ainda =S mas agora tô por dentro de todo contexto da história .. tá perfeito aqui.. o que mais gostei foi as cores do Blog o logotipo super bem feito tá de parabéns .. sempre acesso.

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  3. Bah muito bom teu resumo Juliano. Eu não sabia se via ou não. Tava mais para não do que para sim. Mas depois de ter lido toda esta informação do filmes, fiquei afim de ver. Valeu muito pela dica. Ótimo blog!!

    Abraços!!

    Verônica Elias

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