segunda-feira, 16 de novembro de 2009

2012

Imagine a situação: você é um bilionário. Tem dinheiro pra dar e vender. Grana não lhe é o problema. Certo dia chega um cidadão dizendo que o mundo vai acabar e que estão construindo arcas para salvar quem puder pagar pela sua salvação. Para isso, basta desembolsar nada mais, nada menos que 1 bilhão de euros para cada pessoa que você quiser manter viva. Quem vai acreditar nisso? Parece absurdo, mas nem de longe é o menor absurdo deste 2012 (2012, EUA, 2009).
A história gira em torno da profecia maia de que o mundo vai acabar em dezembro de 2012. Anos antes, vemos um geólogo do governo americano descobrindo indícios da realização da profecia, e o G8 (grupo dos oito países mais ricos do mundo) se reúne para construir - na China - arcas para salvar suas respectivas nações.
No meio dessa grande trama, temos a vida complicada do motorista e escritor desafortunado Jackson Curtis (John Cusack), que tenta uma reaproximação com os filhos (especialmente com o filho, o garoto Noah - Noé, em português, que muito lembra a relação pai e filho dos personagens de O Dia Depois de Amanhã, portanto, nada novo), depois da sua separação. Ele, por ocasião do destino, decide acampar com a família exatamente no lugar onde o governo dos EUA está fazendo os estudos para prever o início da catástrofe.

Daí por diante é só corre-corre. Uma cena ou outra um tanto melancólica para o filme não perder o ritmo, mas logo volta o quebra-quebra.
Como comecei esse texto falando de absurdo, vou prosseguir neles. Sim, neles, porque são vários. E são os absurdos que tornam 2012 um filme tão aquém do esperado, ou ao menos do que eu esperava.

Não podemos cobrar plausibilidade (existe essa palavra?) nas explicações do fenômeno que causou toda aquela tragédia. Mas Roland Emmerich (de Godzilla, Independence Day e O Dia Depois de Amanhã) poderia ter se esforçado, ao menos, para deixar o longa menos forçado. Tudo quebra, tudo cai, todo mundo se acidenta. Menos o carro do protagonista. Em meio a uma fumaça vulcânica ninguém se queima, o avião não falha e o recém-aprendiz de piloto é capaz de pilotar um avião cargueiro e salvar toda a tripulação. Tudo acontece, mas os anjos da guarda dos protagonistas parecem ser os únicos que resolveram trabalhar naquele dia. Isso incomoda.

Como se não bastasse, Emmerich não se resolve no seu discurso religioso. Ao passo que vários personagens evocam Deus, o menino-protagonista leva o nome de um personagem Bíblico (Noé, já citado) além da própria referência à passagem do Dilúvio, outras cenas são uma verdadeira afronta a esse mesmo Deus: o nosso Cristo Redentor ruindo, o Vaticano no seu fim com milhares de fiéis em frente à Basílica de São Pedro clamando a Deus, detalhando uma rachadura entre o dedo de Deus e de Adão no alto da capela Sistina e interrompendo uma proclamação de um Salmo, que seria proferido pelo presidente americano, antes mesmo de começar. Não consegui entender o que o diretor quis dizer com tudo isso.

Como se não bastasse, tem ainda a previsibilidade dos acontecimentos. E aqui vou parar de falar que sempre tem quem não consiga enxergar um fim único e já traçado pelos personagens. Não vou nem relembrar a situação de todos no início do filme para não estragar o final.

A construção dos personagens é sofrível, mas o filme consegue fazer umas críticas políticas interessantes: o fato de só o G8 terem conhecimento da catástrofe e poderem se salvar, de somente os ricos terem a chance de entrar nas construções, dos chineses fabricarem as arcas e depois não poderem entrar nelas, do continente que é salvo (reparem nisso), enfim, creio que Emmerich tenha usado muito o filme para demonstrar seus pensamentos políticos acima de qualquer outra coisa, e o faz bem - consegue dizer coisas importantes nas cenas que ele cria com essa temática.

Além disso, os efeitos especiais são estupendos. Está aí uma coisa que Emmerich sabe fazer: destruir; com o único resultado que interessa a quem produziu tudo isso: a bilheteria. E pelo visto esta - ao contrário do filme - não vai decepcionar.

2 comentários:

  1. Pra quem espera um filme com uma boa estória, etc, vai ficar decepcionado. É um filme tipicamente americano, que você é bombardeado com efeitos especiais, super heróis que se safam de tudo não se sabe como.
    Eu gostei, é um filme pra relaxar, ficar viajando, sem pensar em nada... valeu os 4 reais do cine arco-íris.. :P

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  2. Ficou melhor que a minha!

    Enfim, eu não tinha reparado no primeiro absurdo que você comentou, dos milhonários comprando suas passagens! É verdade, quem seria ingênuo o suficiente para acreditar em algo assim?

    E sim, o filme é facilmente deduzível! É fácil advinhar não só as cenas seguintes como o final do filme.

    E quanto a certas cenas anti-religiosas, como a pintura de Michelangelo partida ao meio, parece que ele só fez porque achou bonitinho! Não acredito que tenha um significado por trás. É uma cena vazia, como o restante do filme!

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