domingo, 15 de novembro de 2009

2012

Imagine a situação: você é um bilionário. Tem dinheiro pra dar e vender. Grana não lhe é o problema. Certo dia chega um cidadão dizendo que o mundo vai acabar e que estão construindo arcas para salvar quem puder pagar pela sua salvação. Para isso, basta desembolsar nada mais, nada menos que 1 bilhão de euros para cada pessoa que você quiser manter viva. Quem vai acreditar nisso? Parece absurdo, mas nem de longe é o menor absurdo deste 2012 (2012, EUA, 2009).
A história gira em torno da profecia maia de que o mundo vai acabar em dezembro de 2012. Anos antes, vemos um geólogo do governo americano descobrindo indícios da realização da profecia, e o G8 (grupo dos oito países mais ricos do mundo) se reúne para construir - na China - arcas para salvar suas respectivas nações.
No meio dessa grande trama, temos a vida complicada do motorista e escritor desafortunado Jackson Curtis (John Cusack), que tenta uma reaproximação com os filhos (especialmente com o filho, o garoto Noah - Noé, em português, que muito lembra a relação pai e filho dos personagens de O Dia Depois de Amanhã, portanto, nada novo), depois da sua separação. Ele, por ocasião do destino, decide acampar com a família exatamente no lugar onde o governo dos EUA está fazendo os estudos para prever o início da catástrofe.

Daí por diante é só corre-corre. Uma cena ou outra um tanto melancólica para o filme não perder o ritmo, mas logo volta o quebra-quebra.
Como comecei esse texto falando de absurdo, vou prosseguir neles. Sim, neles, porque são vários. E são os absurdos que tornam 2012 um filme tão aquém do esperado, ou ao menos do que eu esperava.

Não podemos cobrar plausibilidade (existe essa palavra?) nas explicações do fenômeno que causou toda aquela tragédia. Mas Roland Emmerich (de Godzilla, Independence Day e O Dia Depois de Amanhã) poderia ter se esforçado, ao menos, para deixar o longa menos forçado. Tudo quebra, tudo cai, todo mundo se acidenta. Menos o carro do protagonista. Em meio a uma fumaça vulcânica ninguém se queima, o avião não falha e o recém-aprendiz de piloto é capaz de pilotar um avião cargueiro e salvar toda a tripulação. Tudo acontece, mas os anjos da guarda dos protagonistas parecem ser os únicos que resolveram trabalhar naquele dia. Isso incomoda.

Como se não bastasse, Emmerich não se resolve no seu discurso religioso. Ao passo que vários personagens evocam Deus, o menino-protagonista leva o nome de um personagem Bíblico (Noé, já citado) além da própria referência à passagem do Dilúvio, outras cenas são uma verdadeira afronta a esse mesmo Deus: o nosso Cristo Redentor ruindo, o Vaticano no seu fim com milhares de fiéis em frente à Basílica de São Pedro clamando a Deus, detalhando uma rachadura entre o dedo de Deus e de Adão no alto da capela Sistina e interrompendo uma proclamação de um Salmo, que seria proferido pelo presidente americano, antes mesmo de começar. Não consegui entender o que o diretor quis dizer com tudo isso.

Como se não bastasse, tem ainda a previsibilidade dos acontecimentos. E aqui vou parar de falar que sempre tem quem não consiga enxergar um fim único e já traçado pelos personagens. Não vou nem relembrar a situação de todos no início do filme para não estragar o final.

A construção dos personagens é sofrível, mas o filme consegue fazer umas críticas políticas interessantes: o fato de só o G8 terem conhecimento da catástrofe e poderem se salvar, de somente os ricos terem a chance de entrar nas construções, dos chineses fabricarem as arcas e depois não poderem entrar nelas, do continente que é salvo (reparem nisso), enfim, creio que Emmerich tenha usado muito o filme para demonstrar seus pensamentos políticos acima de qualquer outra coisa, e o faz bem - consegue dizer coisas importantes nas cenas que ele cria com essa temática.

Além disso, os efeitos especiais são estupendos. Está aí uma coisa que Emmerich sabe fazer: destruir; com o único resultado que interessa a quem produziu tudo isso: a bilheteria. E pelo visto esta - ao contrário do filme - não vai decepcionar.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Up - Altas Aventuras

É horrível você ir ao cinema cheio de espectativas. Se o filme não é um "Retorno do Rei" da vida, acabamos por esquecer dos momentos bons que ele tem. Graças à minha paciência, no entanto, já tô com a cabeça mais fresca pra ponderar bem os prós e os contras da nova produção da Pixar com a Disney. Sim, apesar de todo o estardalhaço que andam fazendo por aí, elogiando às multidões a nova animação do estúdio, ele tem seus defeitos.

"Up" conta a história de Carl Fredricksen (voz de Chico Anysio, excelente), um velho de 78 anos que recém perdeu sua esposa e que resolve embarcar numa aventura que sempre sonhara com ela, mas que as fatalidades da vida impediam: viajar para a América do Sul, no Paraíso das Cachoeiras, e lá viver. Ele, então, alça voo dentro da própria casa sustentada por balões e no meio da viagem descobre a presença inesperada do divertido e falante escoteiro-mirim Russel.
Entre os trunfos da história está o próprio roteiro: a construção dos personagens é belíssima, as imagens são impecáveis e os detalhes na animação da Pixar é, como sempre, um show à parte. As primeiras cenas que retratam de forma rápida a história do casamento de Carl são espetaculares; econômicas nas palavras, mas brilhantes no significado e na importância que as cenas têm na história e na vida do protagonista.

Apesar de menos divertido do que o comum para produções Disney/Pixar, os momentos de humor são refinados e não subestimam os espectadores menores. Isso, aliás, já é uma característica que eu senti em "Wall-E". Além, é claro, das aventuras citadas no título: as emoções da trama são pra divertir qualquer um. A dublagem nacional continua - para os desenhos - excelente. É incrível como um dublador consegue nos fazer rir no modo de falar; e a Pixar é capaz de nos emocionar com as expressões escandalosamente bem feitas e retratadas na face dos personagens. Incrível.
Mas, como eu disse, o filme tem seus contras. Começando pelo menino gorduxinho e não falante do primeiro ato do filme. Pra onde ele foi? Quem ele é? A mim deu a impressão que ele era o pai de Russel, mas em nenhum momento isso ficou claro.
E sem contar na sempre incoveniente mania da Disney de passar uma lição de moral. Isso prejudica o humor a mais que o filme poderia ter, fazendo a história girar num conflito-clichê do garotinho-chato com seu pai, que não aparece nunca. Parece ser defeito pequeno, mas se prejudica a história, ora, o filme é comprometido.
Mas como a mania educadora da Disney não era nada inesperado, o resultado final é bom. Só fiquei com vontade de rir mais. Porém, o que gargalhei foi com piadas inteligentes, e isso me deixa um pouco mais contente. Filme pra "criança" que não emburrece nosso cérebro.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Nenhum filme do bruxinho (agora nem tão mais "inho" assim) me encantou profundamente. Todos eram divertidinhos, bem bolados, cheios de efeitos, preocupados em serem fiéis às descrições de J.K. Rowling, mas com sérios defeitos, tanto em critérios de filmagens quanto de adaptação.

Até "A Ordem da Fênix", o único que havia me impressionado de verdade foi "O Prisioneiro de Azkaban", talvez até pela mudança de diretor (nos dois primeiros Chris Columbus comandou os filmes e o terceiro foi dirigido pelo mexicano Alfonso Cuáron), mas também pela mudança de tom do filme: de inocente e cheio de novidades, o mundo criado por Rowling começava, de fato, a trazer perigos iminentes ao protagonista.
Chegamos a "O Enigma do Príncipe" e eis que o filme impressiona por vários aspectos. David Yates, o mesmo diretor do mediano "A Ordem da Fênix" acerta no ritmo e no tom desse novo filme da franquia. Mas ainda não está perfeito.

Antes de me antecipar em falar o que achei do filme, vale aqui uma breve sinopse (embora, creio, desnecessária). O mundo real está sendo atacado pelas forças negras do mundo bruxo e a ameaça do vilão Valdemort (que não aparece no presente) cresce a cada dia mais. Enquanto isso, Harry Potter (Daniel Radcliffe) volta à Hogwarts para mais um ano letivo, onde terá aulas particulares com o professor Dumbledore (Michael Gambon). Nelas, Potter tenta encontrar as explicações para as atitudes maléficas do seu arquiinimigo, mergulhando em lembranças que remetem ao passado do vilão. O jovem bruxo está bem perto de começar sua jornada para destruir Valdemort.

Tá, mas e o enigma, e o príncipe do título? Aos curiosos (que não sabem ainda) trata-se de um livro de poções que Harry encontra para cursar as aulas do professor Slughorn (Jim Broadbent, ótimo) e que contém anotações do seu antigo dono, o "Príncipe Mestiço". Apesar do livro explorar um pouco mais que o filme esse mistério do "Príncipe Mestiço", ainda o faz pouco. E o espaço que Yates dá ao enigma no longa é ainda menor. A gente acaba até se esquecendo disso.

Mesmo porque o filme é corrido. O livro é um calhamaço e adaptar razoavelmente bem as centenas de páginas em 153 minutos requer algumas decisões pontuais. E, no fim das contas, a adaptação é bem feita.
O problema é que esse novo episódio da franquia não funciona sozinho. Ele está ali mais como uma ponte entre o filme anterior e os últimos dois, que vão contar a história do último livro. O roteirista Steven Kloves não faz questão de explicar novamente o mundo bruxo, nem de refrescar a mente dos espectadores com os acontecimentos mais recentes. Da mesma forma, assistir esse e ignorar os que estão por vir é como assistir só o começo de um filme e ignorar o seu final, pois "O Enigma" não acaba, deixando as portas abertas para os episódios finais.

Embora ainda não tenha me impressionado, Yates tem tudo para fazer um ótimo fecho na série de maior sucesso da história de Hollywood. O começo dessa reta final ele já começou fazendo bem feito. Resta saber se ele vai conduzir esse drama/aventura com a maestria necessária para tornar Harry Potter uma octologia surpreendente, encantadora e digna de admiração.

domingo, 5 de julho de 2009

A Era do Gelo 3

Antes de eu começar a falar de "A Era do Gelo 3" (Ice Age 3: Dawn of the Dinosaurs) é preciso contextualizar o filme dentro do cenário do cinema mundial: a sétima arte, hoje, quase em sua totalidade, nada mais é do que uma série de produtos fabriados em linhas de produção que devem dar certo pra manter a esteira funcionando. Diante dessa realidade, criam-se filmes como este "A Era do Gelo" que tem tudo o que é preciso para dar lucro e agradar as produtoras. Ele é um ótimo filme pipoca, funciona muito bem e mescla bastante ação, comédia e romance, na dose certa para agradar as crianças; e um roteiro bem estruturado para cativar também os mais crescidinhos.

Outra coisa interessante nesse novo "A Era do Gelo" são os cenários. Tudo muito colorido e deslumbrante, pois a trama não se desenrola num cenário glacial. Na nova aventura, Ellie (voz de Cláudia Jimenez, maravilhosamente dublada) e Manny (Diogo Vilela) esperam um filhote. Diego, o dentes-de-sabre (por Marcio Garcia), diante da formação da nova família de mamutes, sente que deve abandonar o grupo, pois acredita estar perdendo sua destreza e agilidade. E a divertida preguiça Sid (Tadeu Melo, ótimo como sempre) sente-se afetado e decide procurar sua própria família. Na busca, Sid encontra, acidentalmente, três ovos gigantes de dinossauro e decide criar as ferinhas. As cenas iniciais de Sid como "mãe" funcionam otimamente bem e são algumas das mais divertidas do longa.

Obviamente a mãe verdadeira dos pequenos dinossauros vem buscar as crias, leva Sid junto para um mundo subterrâneo e o bando de amigos sente-se obrigado a salvar a preguiça, partindo numa caçada cheia de ação e aventuras, guiados pela doninha Buck (voz de Alexandre Moreno), que é um tanto louca e pirada.

Enquanto isso, Scratt ainda está atrás de sua noz, dessa vez disputando com Scratita, o que rende também boas cenas, bem divertidas e deixa o esquilinho cada vez mais presente.

Mas como eu disse, a trama rende boas risadas e muitos momentos divertidos, mas é aquela coisa: um filme feito totalmente e somente para lucrar. Por isso, aos poucos, ele vai perdendo a ideia dos dois primeiros e se esticando até não ter mais nada a ver com a história inicial. Sorte de "A Era do Gelo 3" é que ele, assim como o segundo, se reiventou, trouxe novos personagens e isso fez com que o longa não se tornasse massante, cansativo e repetitivo; mas cai num erro que logo, logo poderá incomodar bastante: o excesso de personagens e a falta de tempo para usar todos eles na trama. Os dois gambazinhos, por exemplo, (do segundo filme e que eu não recordo o nome agora), passam a primeira parte do filme quase inexistentes. Vamos ver (se a franquia continuar) como o diretor brasileiro Carlos Saldanha vai tocar essa história. Com sorte, ele não se embasbacou nesse último, e há quem considere o melhor da trilogia. Mas claro, muito devido ao recurso 3D (que não tive a oportunidade de conferir) e o visual incrível que a floresta tropical jurássica nos passa.

segunda-feira, 9 de março de 2009

O Menino da Porteira

Até tentaram fazer barulho, mas parece que o filme não empolgou muito, não. Parece-me que 70% das salas de cinema do país estão exibindo o novo filme de Jeremias Moreira Filho, mas nem encontrar uma crítica do filme nos sites mais conhecidos da rede está fácil.
Pra mim não é difícil falar de O Menino da Porteira (Brasil, 2009), afinal, minhas raízes são do "sertão de Santa Catarina". Cresci na cidade de Imaruí, no Sul do Estado, que guarda paisagens parecidas com as mostradas no filme. A preferência pela música sertaneja na família fez-me crescer com essa "raíz", digamos assim, presente em mim. Por isso me empolguei bastante ao ir no cinema e não teria problema nenhum em ver o filme, por mais caipira que ele fosse.
Mas muito mais que familiaridade com o universo sertanejo, está presente em mim o senso de bom cinema (um pouco, talvez) e por isso foi confortável pra que eu fizesse as ponderações e reflexões necessárias.
O longa conta a história de Diogo (Daniel), um boiadeiro que viaja pelo mundo no exercício. Num de seus trabalhos, foi levar ao Major Batista (José de Abreu), da fazenda de Ouro Fino, no interior de São Paulo, uma grande quantidade de cabeças de gado. Mas lá ele faz amizade com Rodrigo (João Pedro Carvalho, excelente atuação), o menino da porteira, filho de um dos moradores da região cansados da exploração do Major. Quando a comunidade se une para vender seus gados diretamente ao frigorífico e escapar das injustiças no pagamento e da autoridade do Major, uma briga feia se instala naquelas paragens e Diogo, até então pacato e neutro na história, decide tomar partido.
O filme é baseado na música de Teddy Vieira e intepretada posteriormente por Sérgio Reis. Daí, pela popularidade da música, já vemos a maior fraqueza do filme: a previsibilidade. É só fazer uma pesquisa em um site de letras musicais, ou ter conhecimento da canção para adivinhar o fim da história. Mas isso poderia ser superado com um bom enredo? Sim, poderia. Mas não o faz.
O Menino da Porteira é um filme exageradamente caipira. Isso não seria ruim - já que é o objetivo claro do diretor - se ele não se tornasse um "clipe gigantesco". Nas primeiras tomadas, acompanhamos Diogo tocando a boiada pelo sertão ao som de uma canção que auxilia na apresentação dos créditos. Isso não prejudica nada. Depois, Diogo, antes de dormir, pega a viola e canta para a noite, com os seus preparando o acampamento. Também nada mau, se a música não fosse cantada inteira. Chega um momento nessa música que ela não contribui mais pra nada, apenas obriga o filme a fazer um monte de tomadas em lugares diferentes que não contam nada, esperando a canção terminar. E assim são todas as outras músicas que aparecem no filme adiante (e que não são poucas).
Daí a trilha sonora que deveria ajudar a casar com as belas imagens, com a fotografia explêndida e as felizes locações do filme, acaba o tornando chato e enfadonho, pois a história se obriga a parar para esperar o fim das "modas de viola". E o propósito do filme não é ser um musical.
A cena que mais me enquietou é a que, no mesmo tempo onde os moradores do lugarejo decidem se vão ou não enfrentar o Major, Diogo canta "Disparada" numa sala à parte e paralelamente, a casa de um dos sertanejos está sendo queimada pelos capangas do vilão. A música cantada durante a cena não combina com o incêndio e a tensão da cena, mas sim com a discussão dos sertanejos. Então que separassem a cena: fizessem primeiro a discussão ao som de "Disparada" como um momento de trunfo, e logo depois o incêndio da casa, que ajudaria muito mais na construção e condução da história.
Com tudo isso, o filme demora a passar para a segunda marcha. Ele fica morno tempo demais e só ganha ritmo perto do fim, quando Diogo toma a decisão de conduzir os gados dos sertanejos. Aí o filme entra num misto de romance, western, ação e um bom drama, e ganha fôlego e começa a ficar interessante. Os personagens começam a ficar bem definidos e o humor começa a refinar-se. Mas daí já é tarde demais.
Rosi Campos está maravilhosa no filme, o menino da porteira igualmente. Vanessa Giácomo foi mal aproveitada e Daniel esforçou-se, ficou na sua e - felizmente - não foi ridicularmente usado por ser "pop".
O esforço visível para fazer um bom filme está ali. O avanço no cinema nacional também. E apesar de eu parabenizar empresas como a Pernambucanas por patrocinarem a cultura nacional investindo em produções desse tipo, me incomoda o excesso de mershandising e - extremamente forçado - a porteira escrito em amarelo "Casas Pernambucanas".
O Menino da Porteira não me decepcionou. Mas o cinema nacional ainda não me convenceu.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Foi Apenas um Sonho

Inevitável lembrar de "Titanic". Tão inevitável que milhares de pessoas estão indo aos cinemas esperando ver em "Foi Apenas um Sonho" (Revolutionary Road, EUA/Reino Unido, 2008) o mesmo romantismo que Leonardo di Caprio e Kate Winslet viveram no desastrado navio. Mas o filme não tem nada de romântico. Ele tem numa história tudo aquilo que eu gosto, e que volto a falar: um roteiro não previsível e um drama muito bem elaborado com bons diálogos sem, no entanto, ser um dramalhão. "Foi Apenas um Sonho" é um filme com o pé na realidade. Conta a vida de um casal e não dificuldadezinhas medíocres até ter um feliz casamento no fim das contas.
A primeira parte do filme se sustenta com flash backs do passado do casal: como eles se conheceram e como foram parar no lugar onde moram. Os anseios da juventude até que, quando os personagens já estão bem apresentados, voltamos à época do filme e vemos que nada do que eles sonhavam havia sido realizado.
Eles decidem fugir de uma vida rotineira, chata e nada compatível com seus sonhos de juventude e a ideia é alimentada por John (Michael Shannon, indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante), filho da mulher que lhes vendeu a casa e que compartilha os mesmos pensamentos do valoroso casal.
Mas como eu disse que o filme tem um pé na realidade, e que é drama e não romance, é muito claro que as coisas não vão ser tão fáceis e problemas vão aparecer no caminho para levar ao filme o que ele tem de melhor: os conflitos entre Frank (Di Caprio) e April (Winslet). A dupla está primorosa e as brigas do casal estão excepcionais. E não é só eu que acho que tanto Wislet quanto Di Caprio mereciam indicações da Academia pela atuação neste filme, que de fato, está muito boa.
Apesar de ser ótimo, não é um filme indicado pra quem quer sair feliz do cinema. Mas vale a pena. Porém, como todos estão dizendo por aí, não dá de cantar "My Heart Will Go On" quando sair da sala...

domingo, 1 de fevereiro de 2009

A Troca

Angelina Jolie me surpreende a cada novo filme que vejo com ela. Estava eu lendo as críticas de vários lugares sobre "A Troca" (Changeling, EUA, 2008) e me encho de emoção ao lembrar das cenas do longa.
No novo filme do diretor Clint Eastewood, Christine Collins (Angelina Jolie) é uma mãe que, ao sair para trabalhar num sábado, em Los Angeles, tem seu filho sequestrado. A polícia, depois de acionada, leva até a sra. Collins um menino que ela diz não ser seu filho e, a partir daí, começa uma luta incansável da mãe em busca do filho desaparecido e de justiça.
Algumas coisas chamam a atenção nesse filme. Umas que eu já tinha lido e reparei ao assisti-lo, outras que constatei durante a projeção. Eastewood conduz a trama como se fosse, de fato, um filme antigo. A trilha propriamente dita e o seu som quebrado na troca de cenas garantem esse ar de época e nos fazem mergulhar na história: isso é o que eu tinha lido. Ademais, o figurino é impecável e a sra. Collins - que nunca perde os modos de dama, mesmo nos momentos mais difíceis. Ela até tenta limpar as lágrimas ou não dizer algum palavrão para o médico do sanatório, mas a sua natureza continua de dama.
O que mais me chama a atenção num filme é sua capacidade de surpreender. Não gosto de filmes previsíveis. E esse, de fato, não é. São algumas histórias entrelaçadas que, a certo ponto, se não estiver prestando bem atenção, você pensa que trocou de filme no meio da exibição. Mas não é nada tão brusco: logo começam os encaixes e a tensão aumenta.
O filme faz uma crítica dura à polícia da época de L.A, que tenta a todo custo abafar o pedido suplicante da mãe que tem seu filho perdido. Com isso, o filme se destaca em seu drama. Não pude deixar de lembrar do brasileiro "Olga", mas percebi, mesmo tendo gostado do nacional, que a carga dramática de "A Troca" é muito mais elegante: um lamentável fato (o filme é baseado em uma história real) da história de Los Angeles sem emoções baratas, mas de reflexão.